SINOPSE

Thalita é funcionária pública e taquígrafa de Brasília e há pouco comprou um apartamento no bairro do Noroeste. Após retornar de uma apresentação de zouk descobre que seu apartamento pegou fogo, matando seu cachorro. Sem resposta do seguro, e tendo gasto todas as suas economias na entrada desse apartamento, ela se encontra sem casa e em luto pelo animal de estimação. A maneira possível de levantar dinheiro para a reforma do apartamento é vender a antiga casa e terreno de seus pais em uma comunidade rural dentro de Alto Paraíso de Goiás. Thalita tira férias para reparar e colocar a casa a venda, seu desejo é que tudo se resolva rápido para que possa voltar a sua vida e reformar seu espaço. Mas a volta para seu local de origem e o encontro com Marley, um antigo amante, afetam o pragmatismo de Thalita, assim como suas noções de pertencimento, fronteiras e futuro. 

CONCEITO DO PROJETO

Alto Paraíso é um filme sobre uma mulher que passa a não ter mais casa. O tema se anuncia já no início, uma vez que o apartamento da protagonista pega fogo acidentalmente. Thalita, uma funcionária pública de classe média alta, perde seu lugar de refúgio. Essa perda tem repercussões tanto simbólicas, quanto práticas. Após o incêndio, Thalita precisa de dinheiro para pagar a apólice do seguro e, com isso, reaver o seu apartamento. Mas ela, como parte considerável da classe média brasileira, está imersa em dívidas e já não pode recorrer ao banco. Sua única alternativa é vender o imóvel onde viveu sua mãe, hoje localizado em meio a uma comunidade neorrural de Alto Paraíso, dedicada à produção de alimentos orgânicos. Embora já tenha vivido na Chapada durante parte de sua infância, a vida adulta de Thalita a distanciou dos valores e das crenças da maior parte das pessoas com as quais ela precisa conviver uma vez que inicia sua jornada na comunidade. Nesse sentido, voltar para Alto Paraíso coloca Thalita em um estado de inadequação. As suas dificuldades de convivência com outros modos de vida são matéria para uma série de situações constrangedoras, de onde surgem o estranhamento e também a comicidade do filme. Mas há, no relato, uma outra dimensão do conceito de casa, que se relaciona com seu aspecto prático. A casa se revela enquanto um espaço físico que tomamos como nosso, o que portanto evidencia sua relação com a terra e com a propriedade privada. Essa segunda camada evoca questões ligadas à especulação imobiliária, à gentrificação, à consciência ambiental. O conceito do filme surge em meio a esse entendimento de casa, com circunstâncias que, aos poucos, desestabilizam as convicções de Thalita.


 

DIRETORES

DIEGO HOEFEL

Diego Hoefel desenvolve um trabalho como roteirista, realizador e produtor. Estudou audiovisual na Universidade de Brasília (UnB) e Cinema na Universidade Federal Fluminense (UFF), tem mestrado em comunicação com enfoque em cinema pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atualmente cursa o doutorado em Estudos Artísticos na Universidade Nova de Lisboa. Entre os seus últimos trabalhos, destacam-se os roteiros dos filmes “Corpo Delito” (2016), que teve sua estreia internacional na seleção oficial do Festival DOK Leipizig 2017; “Elon não Acredita na Morte” (2016), desenvolvido em parceria com João Salaviza e Ricardo Alves Jr. a partir do prêmio Hubert Balls do Festival de Rotterdam (Holanda); “Tremor” (2013), que teve sua estreia na competição Pardi di Domani do Festival de Locarno (Suiça) e “Permanências” (2011), selecionado na Semana da Crítica do Festival de Cannes (França). Desde 2016, participa de um núcleo criativo de pesquisa dramatúrgica sobre as atualizações contemporâneas do cinema de gênero, com coordenação de Karim Aïnouz. “Cidade Nova”, o último curta-metragem que dirigiu, estreou em agosto de 2015 no Festival de Brasília. Em paralelo, desenvolve o roteiro “Natu”, associado ao núcleo criativo da Anavilhana Filmes, coordenado por Cao Guimarães e Clarissa Campolina e também o roteiro “Malibu”, associado ao núcleo criativo de investigação de filmes de crime, coordenado por Karim Ainouz. Escreve também o roteiro “Alto Paraíso” (dir. Diego Hoefel e Juliane Peixoto, em desenvolvimento). 

JULIANE PEIXOTO

Juliane Peixoto (Brasília, 1985) é cineasta, artista visual e mestranda do Programa de Pós- Graduação em Estudos Contemporâneos da Arte na Universidade Federal Fluminense (UFF). Pesquisa a produção de imagens acerca da mineração dentro das artes visuais e suas potências enquanto agenciamento político. Já participou das residências Programa Bolsa Pampulha 2016 – Museu da Pampulha/MG, Casa Comum/ RJ (2016) e Laboratório de Artes Visuais da Es- cola Porto Iracema das Artes/CE (2014). Participou das exposições: Experiência s/n. MESA DE CORTE. + Encontrão de Poetas, A MESA, RJ (2018), Zona de Litígio, Casa de Cultura, Sobral/ CE (2018), Superfícies Sensíveis - Pele Muro Imagem, Caixa Cultural RJ/ RJ (2018), _Políticas Incendiárias, Centro Municipal de Artes Helio Oiticica/RJ (2017), , O fazer cinema das artes visuais - Performances Fílmicas, CCBNB/CE (2017), Casa Aberta – Residência Casa Comum/ RJ (2016), Zona de Litígio no MAC/CE (2015), Bângala: Yakã Ayê - Galeria Gentil Carioca/RJ (2015), Triangulações em Goiânia, Salvador e Fortaleza (2015), 66o Salão de Abril – CCBNB/ CE (2015) entre outras. Trabalha com cinema e direção de fotografia. Foi diretora dos curtas “Serra” (2018) e “Vernissage” (2018) e das instalações em vídeo: “Serra” (2017), “Caulim” (2016) e “Cava” (2014), fez direção de fotografia dos longas-metragem “Corpo Delito” (2016) e “O Animal Sonhado” (2015), e de diversos outros curtas-metragem. Atualmente desenvolve o roteiro de longa-metragem “Alto Paraíso” em parceria com Diego Hoefel e Wislan Esmeraldo. 

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